Capitólio: a história da cidade que já mudou de nome várias vezes
Casa de Pedras, Arraial dos Cabeças, Arraial dos Franciscos, São Sebastião dos Franciscos. O povoado que virou Capitólio trocou de nome quatro vezes antes de chegar ao atual. Hoje a cidade é banhada pela represa de Furnas e fica aos pés da serra, fazendo de Capitólio um excelente ponto de partida para visitar a Canastra.
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- 01/10/2026
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- A origem
- Cidade
- Capitólio
Quando se emancipou, em 1948, o lugar já tinha trocado de nome quatro vezes.
Por volta de 1830, três irmãos
João Francisco, Manoel Francisco e Antônio Francisco chegaram aqui por volta de 1830, e são eles os fundadores do povoado que viraria Capitólio. Guarde o sobrenome: ele vai virar nome de lugar mais à frente.
1893: Pedro Messias põe o povoado de pé
Sessenta anos depois, a chegada de Pedro Messias muda a escala da coisa. Ele transforma a propriedade em lavoura e convida outros agricultores para plantar junto — e gente que vem para plantar, fica.
Depois doa terreno para as duas construções que todo povoado precisa ter antes de se considerar um: o cemitério e a primeira capela.
Com a capela de pé, o aglomerado de casas vira arraial. O primeiro nome é Casa de Pedras.
Entre 1895 e 1900, o nome muda duas vezes
Primeiro para Arraial dos Cabeças. O relato não diz quem eram os cabeças — "cabeça" no sentido de chefe, de quem puxa os outros — mas diz que o apelido pegou. Guarde este também, porque ele volta no fim.
Depois a família dos Francisco chega em peso, e o arraial passa a se chamar por ela: Arraial dos Franciscos. É o sobrenome dos três irmãos de 1830 voltando ao mapa, sessenta e tantos anos depois, agora no plural.
Nesse mesmo período sobe uma capela nova, dedicada a São Sebastião, no terreno onde hoje está a matriz. Veio então a influência religiosa, e o santo entrou na frente: São Sebastião dos Franciscos.
Quatro nomes em sete anos. Nenhum deles é o que ficou.
De onde veio "Capitólio"
Do latim, e é o único dos cinco nomes que não está em português.
Capitolium era o alto de Roma — a colina do templo de Júpiter, o ponto mais elevado da cidade. A palavra se prende a caput: cabeça, e por extensão topo, cume, o que fica em cima.
Ou seja: o nome erudito que a cidade escolheu é a tradução do apelido que ela já tinha tido. Capitólio é o Arraial dos Cabeças dito em latim, em merecida lembrança a eles.
A usina do Girau
O Coronel Lourenço Belo construiu um palacete de dar inveja. Terminado o palacete, foi atrás de sócios para uma empreitada maior: o Dr. Abelardo, engenheiro eletricista de Passos; José Garcia, fazendeiro rico de Capitólio; e Messias Garcia, irmão dele.
Os quatro ergueram uma usina elétrica no lugar conhecido como Girau.
E da luz ao telefone foi um pulo.
O relato que chegou até aqui não traz o ano desta parte — e é assim que história de cidade pequena costuma vir: com o nome dos quatro homens inteiro e a data de nenhum deles.
1938: o marco no alto do Morro do Chapéu
É inaugurado o marco de construção da capela dedicada a São João Batista, no topo do Morro do Chapéu. Quem sobe o morro hoje passa por ele.
1947: a matriz de frente para a praça
Começa a construção da Igreja Matriz, em estilo contemporâneo, de traços simples e graciosos. Ela fica de frente para a Praça Padre João Machado, a praça principal, no centro — e no mesmo terreno onde subira a capela de São Sebastião meio século antes.
27 de dezembro de 1948
A cidade pertenceu a Piumhi, depois a Guapé, depois voltou a depender de Piumhi. A emancipação total saiu em 27 de dezembro de 1948, e é essa a data que Capitólio comemora como aniversário.
O que veio depois
Quinze anos depois da emancipação, a água de Furnas subiu e mudou tudo de novo: o vale virou lago, e a cidade que vivia de lavoura passou a viver do que o lago trouxe. Essa é outra história.
O nome, esse já estava resolvido havia décadas. E continua dizendo, para quem souber latim, a mesma coisa que o segundo nome do arraial dizia em português.