Da paixão pelo café a um espaço de experiências e histórias

Talita abriu a Cafeteria Bourbon em 2021, em plena pandemia, num ponto comercial que estava fechado fazia mais de um ano. Ela cresceu numa Capitólio onde não havia asfalto na rua, nos mercados não se vendia hortifruti e cereais eram comercializados a granel — e hoje vende café especial na mesma cidade.

Publicado em
19/09/2026
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Cidade
Capitólio

Perguntada sobre o que faz todo dia, Talita responde: "Não tenho rotina, mas tenho uma agenda bem apertada."

É resposta de quem toca uma cafeteria desde 2021. E é o oposto da cidade em que ela cresceu, que era das coisas mais previsíveis que existiam.

A Capitólio de que ela lembra

Não se vendia verdura no comércio. Quem quisesse comer tinha a própria horta, ou comprava na horta de alguém.

Arroz e feijão eram vendidos a granel, pesados naquelas balanças de equilíbrio e embrulhados em saquinho de papel.

A cidade terminava mais ou menos onde hoje é o supermercado Amigão. Dali até a Santa Casa havia pouca construção.

A matrícula das crianças era por proximidade da moradia e da escola, e a divisão se fazia na praça: traçava-se uma linha imaginária a partir dali, e essa linha decidia em que escola cada um ia estudar. O trajeto era feito a pé — não havia ônibus escolar, só as kombis que traziam os alunos da zona rural para a Modesto. E as escolas rurais, naquele tempo, tinham muitos alunos.

Hoje ela vende café especial

A distância entre uma coisa e outra é o que a cafeteria dela mede.

A ideia veio de dois gostos que se encontraram. Talita sempre gostou de fazer quitanda e, há um tempo, de beber cafés diferenciados; a irmã, que é gastróloga, gostava da parte de sobremesas e trabalhava na padaria do hotel Engenho da Serra antes da pandemia. Havia outros sócios na época da inauguração, e a cafeteria foi o caminho comum entre as ideias de todo mundo.

Hoje saem de lá pão de queijo, pão na chapa, bolos, tortas, cookies, brownie, frapês, chocolate quente, chás — e café.

"As pessoas entendem que somos uma padaria"

É o que mais a incomoda no que dizem do negócio.

Temos lanches, sim, mas nossa especialidade é o café.

E a frase dela sobre o assunto é a melhor definição do ofício que se pode pedir: café é o único produto ao qual é preciso ter apego.

O ponto estava fechado

Quando pegaram o lugar, ele estava bem feio, bagunçado e abandonado — fazia mais de um ano que ninguém abria a porta.

Depois veio 2022, que ela descreve como um ano complicado para a cidade inteira e que, para ela, "parecia se arrastar". Acreditaram que ia dar certo e investiram trabalho e tempo.

O "deu certo" ela situa no segundo ano, quando foi melhor que o primeiro: "acho que foi quando pude respirar um pouco melhor".

O trabalho que ninguém vê

Talita está no Senar há quatorze anos, e diz que ver vidas mudarem pelos cursos é o que mais a gratifica. Hoje está também na presidência da Ascatur, coordenando a execução de eventos, famtur e a divulgação da cidade.

O que ela faz ali, nas palavras dela:

Trabalho de formiguinha que muitas vezes não é valorizado por quem está de fora e não vê o que está acontecendo.

O que ela espera

Perguntada sobre o futuro, ela não falou da cafeteria. Falou da cidade.

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